quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

domingo, 29 de abril de 2012


esta noite é tudo como se
como não?
would you like a coup of coffee?
a saída é ao fundo à direita de quem não vem.
já pensou? como se
sob o jardim de estrelas
pense num arrepio
num mergulho ali
ao lado
já não sei se serve isto
se isto se serve
mal ou
passamos 
ao ponto final.

branco sobre branco sobre brando sobre a mesa branca 
do princípio deste folhetim.
circularidade?
fire in the esquina
fire
brando
como se pudesse
pulsar pudesse
prazer pudesse
pondere 
o desnecessário afã da sua porção 
quase
 

domingo, 29 de maio de 2011

sentir o que não tem sentido

despetalar o impasse

como se desprevenido

o sol se encontrasse

amarelo

quase sentido

não sendo mais que mar

amarelo

não sendo mais que

aquele

quase estar

mar

elo perdido


terça-feira, 24 de maio de 2011

Romance Sonâmbulo

Romance Sonâmbulo
Federico Garcia Lorca - tradução minha

Verde que te quero verde
Verde vento. Verdes ramas.
O barco sobre o mar
e o cavalo na montanha.

Com a sombra na cintura
ela sonha em sua varanda,
verde carne, pêlo verde,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Sob a lua cigana,
as coisas a estão olhando
e ela não pode olhar.
--
Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de geada
vêm com o peixe de sombra
que abre o caminho da alba.

A figueira esfrega seu vento
com a lixa de suas ramas,
e o monte, gato gatuno
eriça suas pitas azedas.
Mas quem virá? E por onde...?
Ela segue em sua varanda,
verde carne, pêlo verde,
sonhando no mar amargo.
--
_ Compadre, quero trocar
meu cavalo por sua casa,
minha montaria por seu espelho
minha faca por seu cobertor.
Compadre, venho sangrando,
desde os portos de Cabra.
_ Se eu pudesse, mocinho,
esse trato se firmava.
Meu eu já não sou eu
nem minha casa é já minha casa.
_ Compadre, quero morrer
decentemente em minha cama.
De aço, pode até ser,
com os lençóis de holanda.
Não vês a ferida que tenho
do peito até a garganta?
_ Trezentas rosas morenas
leva teu peitilho branco.
Teu sangue ressuma e cheira
ao redor de tua faixa.
Mas eu já não sou eu,
nem minha casa é já minha casa.
_ Deixa-me subir ao menos
até as altas varandas;
deixa-me subir! deixa-me,
até as verdes varandas.
Gradis da lua
por onde retumba a água.
--
Já sobem os dois compadres
até as altas varandas.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremiam nos telhados
lanterninhas de latão.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.
--
Verde que te quero verde,
verde vento, verdes ramas.
Os dois compadres subiram.
O largo vento deixava
na boca um raro gosto
de fel, de menta e de alfavaca.
_ Compadre, onde está, diga,
onde está tua menina amarga?
_ Quantas vezes te esperou!
Quantas vezes te esperasse,
cara fresca, negro cabelo,
nesta verde varanda!
--
Sobre o rosto da cisterna
balançava-se a cigana.
Verde carne, pêlo verde,
com olhos de fria prata.
Um sincelo de lua
a sustenta sobre a água.
A noite se pôs íntima
como uma pequena praça.
Guardas civis bêbados
na porta golpeavam.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco sobre o mar.
E o cavalo na montanha.

domingo, 1 de maio de 2011

entreatos

eu sou o que .quero ser ou quero. ser
o que não sou o que creio ser em vão
o que já passou o que quer dizer que
sou o que . não quer. ter o que querer
ser. nas. mãos. ou.. que.crescer. sem
poder .saber. perceber. me. leva com
desrazão ao que não. sinto dever de-
veras esclarecer.o que nem eu posso
ver .o. que. eu-isto-mim. quer. di-ser

sábado, 12 de março de 2011

todo ato é fatal
e de fato
total
tendo dito:
leve-me logo
e às vezes me leve
a mal

quinta-feira, 3 de março de 2011

angústia
engasga
não se engole
antes,
nos encolhe
como quando nos colhe
o infinito
tremendo mito
que de tão se faz tão
bonito
--
não se escolhe
se escapa
como uma salva de pássaros
transpassa o mapa
protelando
o inverno
adejar
aflito
--